quarta-feira, 20 de abril de 2011

Reencontrando o Amor

Após muitos anos de ausência, estou de volta à minha terra. Quantas saudades vivi estes vinte poucos anos longe de minhas raízes, ainda me recordo do momento em que deixei tudo para trás, pois não suportei saber que a mulher que amava se casaria com outro. Foi uma loucura o que fiz, na época eu tinha minha vida profissional,era empresário, trabalhava como cozinheiro no meu próprio restaurante, não fiz faculdade mais tinha o dom para a casinha e um velho caderno de receitas de minha avo que fui Adapitando aos novos tipos de temperos, meus pratos faziam sucesso meu restaurante vivia com suas mesas ocupadas, deixei tudo e hoje ao voltar me deparei com tentas mudanças o restaurante que na época eu havia vendido, já não existia a cidade estava totalmente mudada, diferente alheia a historia de meu passado, todas as presenças que fizeram parte de meu passado deixaram de existir ou quase todas, sobraram algumas casas muito poucas,pois o progresso tomou conta de quase tudo.
Poucas casas resistiram ao avanço do progresso, a casa de meus pais foi uma dessas casas que resistiram aos tempos de modernidade.

Minha mãe e meu pai eu já havia perdido e nem tive como vê-los pela última vez, estava muito distante, mas sofri muito com a notícia da morte deles. Minha mãe foi a primeira que deixou este mundo, depois foi a vez de meu pai. Guardo deles a lembrança da imagem da última passagem de ano que passamos todos juntos e uma foto dos dois, que foi tirada no dia do aniversário de minha mãe. Saudades, quantas saudades dos parentes que ainda viviam na cidade.


Eu estava de volta de onde nunca devia ter saído, deveria ter enfrentado as desventuras que tive no amor. Deixei de curtir muitos anos da vida dos meus pais e de todos os outros de minha família por me acovardar em não encarar a vida de frente. Se tivesse ficado, hoje talvez estivesse vivendo com Renata, pois seu casamento durou somente cinco anos. Seu marido a deixou por um outro amor e ela, desgostosa, se foi da cidade. Nestes vinte poucos anos vivendo fora do Brasil, consegui guardar um bom dinheiro e ainda tinha o velho caderno de receitas de minha avó. Meu pensamento era montar um restaurante como antes o tinha feito, muita saudade do meu tempo de cozinheiro. Há muito não lidava na cozinha, a não ser para cozinhar meus próprios alimentos, até este prazer tirei de mim quando tomei a decisão de partir.

Bobagem pura, bobagem. Levei anos para esquecer e tudo que não passei aqui passei lá, a única diferença é que ela não estava por perto. Hoje estou bem, de volta às minhas raízes, sinto que posso ter um pouco de felicidade e isso é bom.

A vida, o que ela faz com nossas vidas, nos induz a viver histórias, reviver sentimentos, viver momentos, retornar na luta por nossos sonhos.

Eu estava pronto e feliz por estar novamente em casa.

Não perdi meu tempo, não podia, já o havia perdido antes, dois dias de minha chegada e já percorria as ruas à procura de um bom espaço para o meu restaurante, era uma outra cidade, ruas e casas, praças, tudo estava diferente, a cidade estava bem maior, muito pouco vestígio ficou de quando eu era criança e corria pelas ruas soltando pipas, salvo algumas casas que resistiram à força do progresso, a de meus pais era uma dessas casas.
O comércio era atuante, pude perceber nas quantidades de lojas, bares, bancos, a cidade havia deixado de ser uma cidadezinha para ser uma cidade que dava condições a seu povo de ter uma vida com prosperidade.

Após percorrer toda a parte central onde batia o coração da cidade, só havia um ponto que estava à venda. Me informando a respeito, constatei que ali tinha uma loja de tecidos antiga, cujos donos haviam falecido. Os filhos herdeiros não moravam na cidade, eram pessoas cultas, um era médico, o outro dentista, uma filha advogada, todos tinham suas vidas em outras cidades, fecharam o comércio dos pais e o puseram à venda.


As chaves estariam com um amigo da família, eu não conhecia estas pessoas, não eram gente de meu tempo, deveriam ser famílias que vieram para a cidade quando ela começou a se desenvolver, Colhendo informações, cheguei à pessoa encarregada de mostrar o local e juntos fomos ver o espaço. O nome do senhor encarregado de mostrar aos interessados o local era Armando. No trajeto até a loja, fui sondando o senhor Armando a respeito do preço do imóvel. Ele era muito reservado e pouco me informou. A única informação positiva era que eu seria o primeiro interessado e que eles tinham pressa de se livrarem do imóvel.
O espaço era ótimo, claro, precisava passar por uma boa reforma. A primeira seria desocupar todo o local, tirar todas as prateleiras e balcões do antigo proprietário e trocar piso, revestir paredes, fazer uma boa cozinha. Muita coisa teria que ser feita, mas o espaço era ótimo e a localização excelente, só faltava negociar com os proprietários o preço.

Pois bem, gostei do espaço, é perfeito para o que quero, só falta saber quanto vai me custar. O senhor não sabe mesmo do valor, não, meu filho, fiquei com as chaves pela amizade que tinha com os pais deles, pois eles para mim não passam de estranhos, foram embora da cidade muito pequenos e poucas vezes estiveram aqui e até mesmo na doença dos pais vieram poucas vezes visitá-los, contrataram algumas pessoas para cuidar dos velhos e só. Vejo que o senhor não tem muita simpatia por eles. Não, não tenho mesmo o que fizeram com os pais, eu acompanhei o sofrimento de ambos. Éramos uma família de amigos, por vezes dona Antonieta chorou ao lembrar dos filhos, sentia falta deles que nem mesmo nas datas de aniversário davam o ar da presença. Ela foi a primeira a falecer, três anos depois meu amigo Artur deixou este mundo. Já se passaram dois anos da morte dele, dois anos que tenho comigo estas chaves. Quase todo final de semana, um deles me liga para saber se alguém se interessou pelo imóvel. Estão ansiosos para se livrarem destas lembranças, portanto, acho que você terá uma ótima chance de fazer um bom negócio.

Voltamos à casa do senhor Armando, onde ele me deu o número de contato com os proprietários do imóvel, mas antes ligou informando do meu interesse. Agradeci a ele pela gentileza com que me tratou e deixei a casa. Eu estava morando na casa que era de meus pais e que minha irmã morava, fui abrigado no mesmo quarto em que usava quando criança, senti a alegria dos meus ao retornar após vinte poucos anos longe de todos. Em casa éramos cinco pessoas contando comigo, minha irmã Roberta, meu cunhado Ari e um casal de sobrinhos, Flávio e Priscila. Minha irmã estava empolgada com a ideia do restaurante e, quando cheguei em casa com a notícia de que já havia me interessado por um local para montar o restaurante, ela vibrou.
Naquela mesma tarde, contatei um dos proprietários, cujo nome, Doutor Emanuel, foi assim que me atendeu. Doutor Emanuel, me apresentei como sendo a pessoa que o senhor Armando havia falado, disse a ele meu nome, André. Ele foi direto, olhe o preço do imóvel, e de oitenta mil, tudo a loja e a casa, lhe entrego tudo por este preço e com tudo que está dentro. O preço não estava fora dos meus cálculos, considerando que pensei em cinquenta na loja para oitenta em tudo, estava ótimo, não cheguei a conhecer o interior da casa, pois meu interesse era só na loja, porém vi que faria um bom negócio e fechei nos oitenta.
Eu estava com pressa, procurei um advogado, mandei que preparasse os papéis e fui ao encontro do Doutor Emanuel e finalizamos o negócio. Não podia perder tempo, contratei um bom pedreiro que, sendo ele meu cunhado, partimos para as reformas, esquecendo da parte de cima que ficaria para uma outra etapa.


Foram quatro meses de obra e, durante este período, mesas e cadeiras foram providenciadas. Eu queria iguais às que tive no outro restaurante, até mesmo os balcões. Enfim, tudo estava pronto. A cara do restaurante era a mesma do outro que tive, mesas, cadeiras, balcões, a decoração em si era quase idêntica com algumas melhoras como bons ventiladores, um bom som ambiente com um pequeno palco e uma mini pista de dança, enfim, a casa estava e não estava parecida com a outra, principalmente a fachada. Foi um dia agitadíssimo. Os preparativos para a inauguração estavam nos seus últimos detalhes, tudo tinha que estar perfeito, os funcionários contratados, dois garçons e uma terceira pessoa que era uma garota para atender no bar, todos estavam uniformizados com roupas discretas nas cores verde e branco, os convites foram enviados às autoridades e a um certo número de pessoas da sociedade local e outros para pessoas simples, moradores de famílias mais antigas da cidade.

A noite estava linda, com o céu todo estrelado, as pessoas chegando, terei casa cheia. Na cozinha, eu me sentia como há vinte poucos anos, quando cozinhava para a inauguração de meu restaurante, um sonho realizado com muita luta e muitas dívidas, muito diferente dos momentos atuais, mas as emoções se comparavam dentro de um contexto totalmente diferente.
Foi um sucesso, a casa lotou, e recebi inúmeros elogios por tudo, mas principalmente pela comida. Teve pessoas que repetiram os pratos, e tudo graças ao velho caderno de receitas de minha avó, que era a base da maioria dos meus pratos e, quando os preparava, pensava nela e sempre a agradecia por me ajudar tanto, tanto. Eu estava me sentindo feliz novamente, com meu coração em paz, mas me sentindo um pouco solitário. Passei todos esses anos fugindo de relacionamentos amorosos, as poucas mulheres que tive eram as que faziam de seus corpos sua ferramenta de trabalho, eu só saía com garotas de programa, fugindo do risco de me envolver.
Minha vida precisava de um amor, eu precisava me envolver com alguém, dividir, compartilhar meus momentos, na verdade eu ainda pensava em Renata, ainda conservava lá no fundo de meu coração uma fagulha do sentimento forte que no passado senti por ela.

Os meses foram passando, um ano, sim, o restaurante completaria um ano de pleno sucesso. Meus investimentos estavam quase recuperados, mas meu coração continuava inquieto, angustiado. O destino, creio na existência dele e que muito do que vivemos faz parte de nossa história e a minha teria novidades naquela noite, não era pressentimento, nada pressentir, o dia foi normal como todos os outros, minha felicidade com o trabalho era a mesma, mas à noite, após todos partirem, clientes e funcionários, recebi uma inesperada visita.

As portas estavam todas arriadas, menos uma que permanecia abaixada até o meio, era por onde eu sairia após fechar o caixa e conferir se tudo estava em ordem. Eu estava sentado em um dos bancos que contornavam o balcão do bar, sobre o balcão, uma garrafa de cerveja e um copo. Fazia isto todas as noites, após conferir tudo, na solidão de minhas madrugadas, tomava minha cerveja e me dava a este prazer. Distraído, perdido em pensamentos, não percebi que não estava sozinho. Eu pensava nela quando ouvi sua voz. Sacudi a cabeça para afastar o pensamento, mas tornei a ouvir sua voz, sacudi novamente a cabeça, será que meu pensamento no desejo de revelá-lo era tão forte que estava imaginando ouvir sua voz, mas a voz se repetiu com mais palavras.
Posso me sentar ao teu lado? Virei-me em direção à porta e ali estava ela, a dona da voz, uma mulher madura bem vestida com um rosto marcado pelo tempo, mas continuava linda, um sorriso triste nos lábios, Renata caminhava em minha direção.

Fiquei por minutos parado, olhando para ela sem palavras, paralisado pela surpresa de vê-la ali bem à minha frente, linda e querendo falar comigo. André, desculpe minha invasão, mas depois que fiquei sabendo de tua volta, lutei muito contra o desejo de lhe procurar, mas o tempo acabou por me envolver de tamanha maneira que este desejo se fortaleceu com tamanha força que não resisti e aqui estou, por favor, não peça para que eu me vá, me conceda uns minutos, tenho tanto a lhe dizer e tanto gostaria de saber de você, como me arrependi da escolha que fiz, tinha tudo para ser feliz a teu lado e tive a infelicidade de tão mau escolha.
Ali estava bem à minha frente a mulher de minha vida, declarando que jogou fora sua felicidade quando se afastou de mim para se casar com outro, era tudo que eu queria ouvir de sua boca, o arrependimento. Por alguns segundos, fiquei sem ação, olhando para ela. A surpresa foi tamanha que não tive palavras para responder a ela de imediato. Foi preciso respirar fundo, sacudir a cabeça, fechar os olhos por algumas vezes para ter a certeza de que não estava sonhando. Renata, perdoe minha falta de educação, claro que pode se sentar e que eu não estava acreditando em meus olhos se era você mesma, quantos anos você continua bela,




são teus olhos, este tempo que passei pela vida, muito me marcaram. Muitas desventuras, muita luta me envelheceram bastante, pode até ser mais contínuas uma bela mulher. Por favor, sente-se, que tomar um copo, como você pode ver, continuo tomando da cerveja que você me ensinou a beber. Lembra quando começamos a sair juntos? No início, pedíamos duas marcas de cerveja, pois você só tomava desta marca e eu da outra. Depois que firmamos nosso namoro, passei a te acompanhar na tua e até hoje continuo bebendo desta. E a melhor, se você diz, aceito sim um copo. Fiquei feliz quando soube que você estava de volta, foram muitos anos, sim, Renata, foram muitos anos e te digo, difíceis, quase insuportáveis, mas sobrevivi e estou de volta, montei meu restaurante novamente e estou seguindo com minha vida, se quer saber se sou feliz, se me sinto feliz, não, eu não estou feliz, me falta um amor,, me sinto muito solitário, muito só.

E lhe digo, estava aqui tomando esta cerveja e pensando em ti, todos estes anos se passaram e eu não consegui tirar você de meu coração. Quando aqui cheguei, de imediato fiquei sabendo que você estava só e confesso, me senti feliz com tua separação e não me envergonho nem um pouco, pois pensei: meu amor está livre, ainda posso ser feliz. Apesar de ter vivido tantos anos longe de tua presença, nunca consegui lhe esquecer, consegui sim aquietar meu coração, mas em minha mente sempre tive esperanças de que um dia teria novamente a oportunidade de viver contigo minha história de amor. Eu lhe confesso, André, que se arrependimento matasse, eu seria uma pessoa morta. Como pude me enganar tanto, tanto, como meu coração pode fazer uma escolha tão errada, mas o fez. Tudo foi tão rápido, nosso namoro estava no começo, partimos de uma amizade dos tempos de infância e sustentamos esta amizade por muitos anos, sempre evitando assumir um compromisso. Sentíamos algo mais forte um pelo outro, mas tínhamos receio de assumir um sentimento novo que poderia pôr em risco nossa velha amizade. 

 O tempo foi passando e, com ele, o sentimento foi ganhando força ao ponto de decidirmos. Começamos nosso namoro, mas eu lhe confesso agora, minha decisão teve uma influência toda tua. Você me convenceu, não que eu não lhe amasse e que tínhamos uma amizade tão bonita, e o medo de pôr em risco esta amizade estava me impedindo de viver este amor. 

Por fim, começamos nosso namoro três meses depois. Eis que surge entre a presença de Rodrigo, simpático e cortejador, que começou a me cercar de todos os lados com sutileza, se mostrando muito apaixonado. Eu estava vivendo um amor feliz, mas cheio de dúvidas quanto ao risco de pôr tudo a perder, pois no amor sempre há cobranças e eu, sendo muito ciumenta, me preocupava com nosso relacionamento, com minhas possíveis cobranças.



Foi aí que comecei a ver em Rodrigo um caminho para mudar os rumos de nossa história. Ele não me dava folga, quando não aparecia me ligava três, quatro, cinco vezes ao dia, só se afastava quando você estava presente, sua insistência foi tanta que aceitei ficar com ele, foi quando terminei com você. Juro que nunca o traí com ninguém, quanto ao cortejo que sofria por parte dele, eu não levava a sério, não dava importância, por isso nunca falei dele com você, primeiro para evitar confusão desnecessária, segundo, ele nunca me faltou com o devido respeito. Mas, aos poucos, ele foi tocando meu coração e, quando dei por mim, estava gostando dele. O resto você já sabe, me casei e você se foi e tudo não saiu como eu pensei. Poucos meses depois, me dei conta da burrada que havia feito, aí já era tarde, você partira sem deixar rastros, levei meu casamento por mais uns quatro meses, depois veio a separação, o fim de uma vida a dois. 

Foram anos e mais anos enfrentando minha solidão, depois que meu casamento terminou não tive mais ninguém, me tranquei com minha dor e com todo o remorso pela burrada que fiz, pelo tamanho do sofrimento que havia lhe causado.
Fiquei feliz quando uma de minhas primas, que mora na cidade e era a única que sabia de meu paradeiro, me ligou dizendo que você havia voltado e, o melhor, procurou saber de mim. Uma pequena esperança começou a ganhar vida dentro de meu coração, você ainda gostava de mim, eu tinha uma chance de ter o teu perdão. Custei a adquirir coragem para lhe procurar, por três vezes estive em frente a este bar e não tive a coragem de entrar, mas hoje não me acovardei e aqui estou para lhe pedir perdão por todo o mal que lhe causei quando troquei minha felicidade por momentos de ilusão. ------ Sabe, Renata, foram anos difíceis, principalmente os primeiros, depois tudo foi suavizando, se tornando mais suportável até que meu coração se aquietou de vez, mas nunca deixei de gostar de você. Quando aqui cheguei, quis logo saber de você e, quando fiquei sabendo que estavas sozinha, me enchi de alegria, pois tinha uma possibilidade de retornar a viver com você nossa história de amor interrompida há mais de vinte anos atrás.





Estou feliz por você estar aqui, pode não acreditar, mas estava pensando em você, e sempre assim todas as noites quando todos se vão e eu fico para fechar o caixa, abro uma cerveja, encho um copo e meu primeiro gole sempre foi para ti.  Nada tenho para lhe perdoar, eu sofri, você sofreu, ambos sofremos e ponto final, eu gostaria de recomeçar nossa história de amor e, se você estiver a fim, não diga nada, só me dê sua boca para um longo beijo. Um beijo é muito pouco. Tenho um fogo queimando as entranhas de meu corpo há muitos anos e nunca quis apagá-lo. Procurei mantê-lo baixo, quase invisível, na esperança de que um dia você voltasse e me tomasse em seus braços. Este é o momento, quero ser tua, lhe dando o beijo pedido, mas com o meu corpo como sinal pela imensa dívida que tenho com você.
Foi uma noite inesquecível, o começo para muitas outras, pois três meses após nosso reencontro, nos casamos. 

Viajamos para uma lua de mel que durou dois meses, por sinal merecido após passar por tantos anos de sofrimentos. Enfim, reencontramos nossa felicidade na união de nosso amor que suportou todos os flagelos e só se fortaleceu na pureza do sentimento que sempre esteve entre nós dois, e o amor.