domingo, 22 de agosto de 2010

Beijo com gosto de fel

Beijo com gosto de fel.


Dois amigos do interior viajaram para uma cidade grande em busca de aventuras. Um deles se sentia um conquistador, o outro só queria conhecer novos lugares e tirar suas fotos, pois este era seu prazer: fotografar, conhecer todos os lugares bonitos que desse para conhecer. João era destemido e queria conquistar e, já na chegada, começou a se espalhar, um oi aqui, outro oi ali, um vê se te enxergar de cá, outro de lá, ele não se importava, o negócio era Zuar.

 O amigo o contemplava mais sem nada a dizer, pois sabia que o amigo, com sua cara de pau, jamais recuaria por se dar mal. Pedro, meu caro amigo, não consigo te entender, este teu prazer tão bobo de sair por aí a fotografar. Se fossem fotos de mulher, seria um hobby legal, mas tirar fotos de besteiras que os olhos cansam de ver, para que guardar tantas recordações de coisas que não pode ter? Deixe-me com o que gosto e isto que me dá prazer, não é assim com as mulheres em relação a você. 

Um primo à nossa espera veio para nos levar para a casa de minha tia, que estava a nos esperar. De carro, deixamos a rodoviária, João no banco da frente e eu no banco de trás, o papo na frente era sobre mulheres, não pensem mal de mim, gosto da companhia delas, mas ainda não encontrei uma que me desperte o sentimento de paixão. Enquanto este amor não chega, vou tirando minhas fotos, isto me dá prazer. Foram dez dias de muita agitação, João saía todas as noites com o primo Andre para as boates da vida atrás de mulheres, e muita agitação. Já eu gostava do dia para poder fotografar e assim foi nossa vida nos dez dias longe do lar, eu vivia os meus dias e João suas noites.


Muitas coisas belas, registrei nos meus dias para levar para casa. João só volta sozinho sem ter nada para mostrar. Última noite na cidade. André veio me convidar para sair à noite os três para comemorar, eu não estava a fim, mas acabei por aceitar e saímos os três para comemorar. André nos levou a uma boate e logo pude perceber uns lances meio estranhos, mas na minha fiquei. João, fissurado por mulheres, se sentiu todo à vontade para esnobar seu estilo conquistador e nem se tocou que podia se dar mal.


André, sempre bem ligado, logo percebeu que eu havia me tocado no lance estranho de algumas daquelas mulheres e me tocou. Primo, primo, fica na tua, vamos ver no que vai dar se João é mesmo esperto ou não consegue enxergar que a maioria dessas mulheres tem algo estranho para mostrar, carrega no meio das pernas, ele vai se assustar. João, todo à-vontade, atirava em todas as direções, estava todo à-vontade e sempre com o copo na mão e logo se fascinou por um tremendo mulherão, uma loira estilosa linda para se ver e ele não perdeu tempo, se entregou de paixão, foram beijos e carícias. João se sentia o tal e, a dada altura na noite, após tanto beijar, saíram de mãos dadas. João foi se aventurar nos braços da companheira, ele quis se fartar. André caiu na risada e em seguida falou: teu amigo se deu mal, logo, logo vai descobrir e se não gostar da fruta não sei o que fará, pois não vai gostar da surpresa que a loira tem para lidar, os beijos com sabor de mel terão o sabor de fel quando ele descobrir que beijou beijo de língua na boca de um travesti.



Primo, foi muita maldade o que tu fizeste com João e, se conheço bem meu amigo, você corre um sério perigo, ele vai lhe enfiar a mão. Mais primo, tu não vai para ele dizer que tudo foi pura armação e lhe garanto que ele vai aprender a lição e ser mais cuidadoso na arte de conquistar, pois se é um caçador, tem que respeitar as suas caças, respeitar, pois no meio de uma delas uma pode te caçar. João casou com uma loira e em sua boca se fartou, com demorados beijos de desejos por amor, tão encantado com a conquista, João não percebeu a dimensão da fria em que ele se meteu. Primo, se o amigo for ligeiro, logo aqui estará. Pois, se suar sua mão, ela irá lhe revelar que a fruta de que ele gosta ali naquele corpo, ele não vai encontrar.



 Não demorou meia hora, João apareceu todo descontrolado, cuspindo para todos os lados. Logo se pôs a dizer, mais que azar este meu, no meio de tantas mulheres eu podia me dar bem, mas me engracei justo com uma travesti, Andre pura sacanagem por que me trouxe aqui, porque é um bom lugar para se divertir, só que me esqueci de te avisar deste lance que pode nos confundir, de homem que não é homem mais que é tão igual a mulher, mas não esquenta com os beijos logo, logo vai esquecer seria bem pior se fosse para a coma e lá se deparasse com um grande lobo mau e da boca feminina uma voz masculina lhe dissesse: agora quero você.


João, envergonhado, não sabia o que dizer, só lhe restava um caminho: esquecer aquela história. 
De volta à rodoviária, João, ainda meio puto, comentou com André: ainda acho que você me sacaneou. Deixamos a grande cidade e, no meio do caminho, João, que estava calado, resolveu falar. Amigo, retiro o que eu disse a respeito de tuas fotos, elas sim foram o melhor desta viagem, pois com elas você tem o que mostrar, já eu nada tenho a não ser um pedido a lhe fazer, em nome de nossa amizade, para nunca revelar que me dei mal na conquista e em boca de homem beijei e só descobri o engano quando minhas mãos seguraram no meio daquelas pernas algo estranho que encontrei. 


Não se preocupe, amigo, será um segredo que não vou revelar, só serão reveladas as fotos que tirei. Assim termina nossa aventura e os dois têm histórias para contar, a minha será revelada a todos os amigos, vou mostrar as belas fotos que tirei quanto a João nada terá para dizer, pois toda experiência lá vivida ele só deseja esquecer. Por um bom tempo, vai ficar sem beijar. O gosto dos beijos da loira vai lhe tirar toda a coragem e, enquanto não esquecer, te garanto que ele de um beijo vai correr, pois mesmo sendo uma mulher vai pensar na boca da falsa loira a lhe beijar. E assim João se tornou um pacato cidadão, depois do beijo da loira em outro homem se transformou, parou de pular de galho em galho e logo, logo se casou.